sexta-feira, 3 de agosto de 2018

O que eu aprendi com a terapia




No início de abril, eu surtei. Era uma segunda-feira, por volta das 9h30min, estava no meu trabalho e percebi que eu não aguentava mais viver daquele jeito – estressada, nervosa, angustiada e triste. Peguei o telefone e marquei um horário, para aquele dia mesmo, com o primeiro psiquiatra que me atendeu. 

A consulta era às 13 horas. Trabalhei até as 12, almocei e fui. Fiquei apenas uns vinte minutos no consultório, na maior parte do tempo, chorando. O médico disse que eu estava estressa e me receitou QUATRO remédios. Sim! Para uma pessoa que só havia tomado antibiótico e analgésico na vida, imaginem a minha surpresa ao descobrir que eu, segundo o médico, precisava de um antidepressivo, um “potenciliador” do antidepressivo, um ansiolítico e um remédio para o cansaço. 

Não vou  aprofundar nos efeitos dos remédios. Acho suficiente dizer que por um tempo os remédios me ajudaram, principalmente, a dormir. Mas os efeitos colaterais, como a forte dor no estômago e um emagrecimento que assustou boa parte da minha família, fizeram-me desistir do tratamento químico e focar somente na terapia. 

Antes de pontuar meus aprendizados com as sessões de terapia acho importante relatar que tive duas experiências negativas, uma com uma psicóloga, e outra com um psicanalista. Experiências que quase me fizeram desistir do tratamento. Mas, teimosa que sou, decidi tentar mais uma vez e, graças a Deus, mas de dois meses de tratamento depois, tenho algumas coisinhas para compartilhar por aqui.

Não existe vida perfeita 

Quando estamos para baixo, tristes e deprimidos, é fácil enxergar defeitos demais na nossa vida e imperfeições de menos na vida dos outros. É natural comparar-nos ao nosso colega de trabalho superanimado, ou à amiga que está sempre viajando ou até àquela pessoa que tem mais problemas que você, mas vive sorrindo por aí. 

Eu fazia muito essas comparações e, às vezes, quando estou em um dia ruim, ainda costumo cair nessa armadilha. Mas eu aprendi a enxergar as imperfeições na vida alheia e a ver as coisas boas que eu carrego na minha bagagem. Aprendi que estar sorrindo o tempo todo não significa uma vida perfeita e que eu, você, todos nós, somos frutos de uma combinação de fatores totalmente diferentes (genética, condição socioeconômica, personalidade, escolhas)  que, invariavelmente, levam-nos para caminhos diversos, e por isso, não podemos nos achar menores do que ninguém, menos capazes e menos felizes, apenas estamos vivendo um momento diferente, só isso. 

A vida é boa

Sim! Hoje eu acredito, de verdade, que a vida é maravilhosa e que VIVER vale muito à pena. Eu ainda acho o mundo demasiado injusto, cruel e violento. Fico entristecida ao me confrontar com tanta desigualdade, miséria, ganância e egoísmo. Mas também fico maravilhada com a nossa natureza, nossos animais, nossa cultura, música, culinária e literatura. 

Eu sei, muito bem, que nos momentos de tristeza e desespero, nem todas as maravilhas do mundo juntas são suficientes para fazer o nosso humor melhorar. Mas, mesmo assim, é tão bom saber que amanhã ou depois, quando estivermos um pouquinho melhor, poderemos contar com as coisas boas da vida. E o mais interessante é que são as pequenas coisas, as mais simples, que nos fazem agradecer pela chance de ter um dia bom novamente, como a comida da nossa mãe, a água quentinha do chuveiro, o carinho dos nossos animais de estimação, o nosso cobertor favorito, um livro, um filme...

Tudo passa 

Às vezes, quando estou enfrentando uma fase muito difícil no meu trabalho, eu penso no pior momento que eu já vivi naquele ambiente (quando eu fiquei um mês sozinha) e repito para mim mesma que aquilo vai acabar, como todo o resto acabou. Mesmo que seja um término temporário, porque amanhã eu terei que voltar ao trabalho, é pacificador ter consciência de que eu já passei por situações piores e sobrevivi.

No fundo, somos todos sozinhos...

Quando enfrentamos uma doença física ou mental, uma tragédia, uma grande perda, é natural e saudável buscarmos apoio nas pessoas mais queridas, mas infelizmente nenhuma delas tem o poder de pegar a nossa dor e tirá-la de nós. Esse dever cabe a nós. É um caminho tortuoso, difícil, perturbador, no entanto, afirmam aqueles que já superaram seus percalços, que  chegaremos ao final dessa caminhada mais sábios e fortes. 

Eu ainda estou caminhando. Às vezes, pareço correr, em outros dias, paro para cochilar no meio do caminho. Quero desistir, por alguns minutos. Depois lembro que eu não tenho essa opção e me levanto. 

Eu não sei quando você vai se livrar da sua dor, eu mal consigo lidar com a minha, mas eu sei que você vai continuar tentando, vai se lembrar do vento no rosto em um dia quente, do abraço apertado do melhor amigo, da risada sem motivo aparente, do cheirinho da chuva...Vai chorar, ficar triste, cada vez menos, a cada dia, um pouquinho menos e, em breve (que seja breve!), você vai sorrir!

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Como lidar com a frustração dos sonhos não realizados?



Nos meus melhores sonhos, esse período da minha vida seria aquele no qual eu já estaria realizada profissionalmente, com as finanças em dia, carro e casa próprios e, quem sabe, casada e com um filho adotivo; entretanto, a fase dos “quase 30” fugiu um pouco do script e hoje, aqui estou eu, morando com os meus pais, andando a pé, trabalhando fora da minha área de formação e namorando há mais de cinco anos, sem qualquer previsão de matrimônio ou herdeiros.

(Imagem retirada do site haiokas.blogspot.com)

Diante desse quadro a primeira pergunta que surge é “O que eu fiz de errado?”, enquanto a pergunta certa seria “O que eu estava fazendo quando deveria estar correndo atrás dos meus sonhos?”, ou melhor, “Por que eu achava que com menos de 30 anos eu já teria quase tudo que sonhei na vida?”.

A resposta à primeira pergunta é simples: Errei na escolha do meu curso de graduação, simples assim. Optei por jornalismo quando a opção certa era Medicina Veterinária e esse é um erro que vou carregar pelo resto da minha vida, não tem jeito.

A segunda pergunta é um pouco mais difícil de responder, porque eu acho que mesmo quando eu não estava correndo atrás dos meus sonhos, eu estava fazendo algo que eu gostava ou algo que precisava ser feito. Por exemplo, ao trabalhar em uma atividade que não me fazia feliz, eu estava fazendo o que era necessário a minha subsistência; quando eu estava viajando, comprando livros e ajudando os animais de rua eu deixei de economizar um bom dinheiro para o meu carro e casa próprios, entretanto, estava investindo na minha felicidade. 
Viajar é ou não é um ótimo investimento? (Imagem: Livros e outros vícios)

Claro que em alguns momentos eu não estava fazendo uma coisa nem outra, estava só procrastinando mesmo. Quantas vezes eu deixei de estudar ou ir à academia para assistir séries e ler livros? Há quanto tempo eu digo que vou praticar exercícios físicos diariamente e retomar os concursos públicos, mas me sinto desmotivada a fazê-los? E a doação de sangue, as aulas de Libras, de natação, de dança, a nova tatuagem? Tantos planos e sonhos que nunca saíram do papel.

Finalmente, a pergunta mais complexa - Por que eu achava que com menos de 30 anos eu já teria quase tudo que sonhei na vida? Gente, eu não sei!  A única resposta que consigo imaginar é que eu era muito inocente, sonhadora e otimista para acreditar que eu sairia da faculdade aos 23 anos e com menos de 30 teria conseguido realizar a maioria dos meus sonhos. Claro que essa imagem de adultos bem resolvidos com 30 anos de idade não apareceu do nada na minha cabecinha, eu tive contato com ela durante toda a minha vida, por meio da televisão, internet, livros, filmes e raros exemplos da vida real.

O fato é que a sensação de estar “ficando para trás” existe. Não vou mentir e dizer que está tudo bem. Isso não é verdade. Há muito o fato de ainda morar com os meus pais me incomoda bastante, eu os amo, mas preciso de privacidade. Não ter um carro também é um problema, assim como a ausência de realização profissional e os sorrisos amarelos que eu sou forçada a dar toda vez que alguém pergunta quando vai ser o casamento. A questão dos filhos também passou a ocupar minha mente nos últimos tempos, pois sempre quis adotar, e meu namorado quer um único filho biológico. Tudo isso somado ao fato de que meus projetos “menores” também continuam sem movimentação. 

Não mais!!! (Imagem retirada do site sejaninja.com.br)   

Para não ser consumida por esse sentimento de frustração, estabeleci três regrinhas bem simples, mas que podem ajudar na hora do desespero:

I. O primeiro passo é PARAR DE COMPARAR SUA VIDA COM A DOS OUTROS. Fazer isso não é tão fácil quanto parece, vai exigir autoconhecimento, autoconfiança e coragem para admitir que foram as suas escolhas que te colocaram onde você se encontra hoje. Confesso que de vez em quando ainda caio nessa armadilha, mas toda vez que acho a vida de alguém mais empolgante e interessante que a minha eu me lembro do segundo passo.

II. DÊ VALOR AO QUE VOCÊ TEM. É clichê, mas tente enumerar todas as coisas boas que você tem ou já viveu, e eu tenho certeza de que a sua percepção sobre a vida vai melhorar. Eu, por exemplo, agradeço sempre por ter uma família saudável e unida, duas afilhadas lindas, três filhinhos de quatro patas que são a minha vida, um namorado atencioso e amigos com quem eu posso contar.

III. PARE DE PROCRASTINAR, e aja! Mais um clichê, eu sei, mas você e eu precisamos entender de uma vez por todas que nós somos os únicos responsáveis pela nossa felicidade e conquistas. Infelizmente, nunca vamos ter a certeza do sucesso, os nossos projetos podem ou não ser concretizados, mas vamos concordar que as chances aumentam consideravelmente quando nos empenhamos para isso? 

(Imagem retirada do site ciclosdaalma.blogspot.com)

terça-feira, 3 de maio de 2016

Feriadão de Tiradentes na Terra das Cachoeiras


Pouco dinheiro e uma vontade enorme de colocar o pé na estrada e viajar. Como proceder? Com a lista de destinos brasileiros em uma mão e a calculadora na outra, consegui encaixar uma viagem a Carrancas no meu apertado orçamento e, na quarta-feira, dia 20 de abril, eu e meu namorado embarcamos nessa pequena aventura.

Após um atraso de três horas por parte do meu digníssimo namorado, finalmente, ao meio-dia, iniciamos o nosso percurso de 460 quilômetros até a pacata cidadezinha do sul de Minas, também conhecida como a “cidade das cachoeiras”. Foram quase sete horas até a Pousada da Toca, situada em uma propriedade rural, a cerca de dois quilômetros do centro de Carrancas.

Adoramos tudo na pousada: o atendimento dos proprietários e funcionários, que foram muito simpáticos e atenciosos; o chalé estilo rústico simples, que me ganhou pela cama confortável e a rede na varanda; o café da manhã que só não recebeu nota 10 porque não tinha ovo mexido e a tranquilidade que aquieta até o mais estressado dos espíritos. Por todos esses motivos, considero que os R$750,00 de estada foram um verdadeiro investimento.

Vista do restaurante.

Vista da varanda do chalé. 

Um dos lagos da pousada.

Uma vez instalados na pousada, com muita fome, mas cansados demais para ir até a cidade, decidimos pedir dois sanduíches e cinco latinhas de cervejas. Não me lembro do nome do estabelecimento, só do preço – R$40,00, e que a cerveja estava gelada e o sanduíche agradável.

No dia seguinte acordamos por volta das 08h30min, tomamos aquele café e partimos para o nosso primeiro passeio, ali mesmo na pousada: o Complexo da Toca. Como éramos hóspedes, tivemos acesso gratuito. Infelizmente não me recordo o valor da taxa cobrada para os não hóspedes, mas acredito que seja algo em torno de R$3,00.

A trilha até o Poço do Coração e o Poço do Coraçãozinho é de fácil acesso e banhada por águas claras e geladas. Os dois poços estão situados bem próximos, separados por uma ponte de pedra.






Não tive coragem de entrar em nenhum dos dois. O primeiro, porque era fundo e eu não sei nadar, e o segundo porque é bem pequeno e serve mesmo só para tirar foto.

Poço do Coração. 

Poço do Coraçãozinho.


Retornamos à pousada por volta das 13 horas e almoçamos por lá mesmo. A refeição com arroz, feijão, salada, mandioca frita, chuchu, carne de porco e bovina saiu por R$38,00, mais duas garrafas de cerveja a R$8,00 cada.

Sem tempo para o “quilo”, seguimos direto até a cidade para pegar a estrada para o Complexo da Zilda. Exceto pelos 12 quilômetros de terra, poeira e alguns buracos, é muito simples chegar ao principal complexo turístico de Carrancas, basta virar à esquerda na altura da Praça da Igreja Matriz e seguir as placas.

O Complexo da Zilda é “dividido” em três pontos: Escorregador da Zilda; Racha da Zilda; e Cachoeiras do Índio, da Zilda e Poço da Proa e do Guatambu.

Partimos primeiramente para as cachoeiras, onde pagamos uma taxa de visitação no valor de R$3,00 por pessoa. A trilha até a Cachoeira do Índio e da Zilda foi tranquila, embora exigiu um pouco mais de esforço e concentração para não escorregar nas pedras. As duas cachoeiras são belíssimas, dignas de cenário de novela das seis.  O único ponto negativo do passeio foi que não nos informamos direito ou não fomos informados corretamente e por isso não conhecemos as outras duas atrações: o Poço da Proa e do Guatambu, e me arrependi muito, pois, pelas imagens, são dois locais incríveis.


Cachoeira do Índio. 

Cachoeira da Zilda.

Poço do Guatambu. (Imagem: Carrancas Além das Formas)

Poço da Proa. (Imagem: Carrancas)


Já eram quase 17 horas quando partimos para o Escorregador da Zilda, onde também pagamos uma taxa de R$3,00 por pessoa. Percorremos poucos metros do local onde realizamos o pagamento até o escorregador, que é realmente tão legal quando aparenta ser nas fotografias. Mas, infelizmente, o cansaço e o frio do final de tarde venceram o nosso entusiasmo e por isso não nos aventuramos naquela pedra lisa e muito possivelmente gelada.



À noite, fomos para a cidade e, após esperar cerca de 15 minutos, conseguimos uma mesa no Recanto Bar, situado na rua principal de Carrancas. O estabelecimento é muito agradável, com música de qualidade ao vivo e ótimo atendimento. Optamos por uma pizza e cerveja. Total da noitada: R$57,00. 



Na sexta-feira, 22, foi o dia de conhecer a famosa e interditada Cachoeira da Fumaça, situada a quatro quilômetros do centro de Carrancas. Para  chegar à cachoeira basta fazer o caminho inverso ao do Complexo da Zilda, ou seja, convergir à direita na altura da Praça da Matriz e seguir as placas indicativas. Fiquei encantada com a cachoeira e ela facilmente ganhou o título de “a cachoeira mais linda de Carrancas”.




Como somos responsáveis demais com nossas vidas, respeitamos a proibição de banhos na cachoeira e nos contentamos em ficar admirando aquela obra-prima da natureza e nos demos o luxo de esquecer de todo o resto por alguns minutos.

Retornando à estrada principal, continuamos no sentido contrário à cidade e percorremos alguns quilômetros até o Complexo da Vargem Grande, onde fica o famoso Poço da Esmeralda. Dessa vez, não tivemos que pagar nenhuma taxa de visitação, apenas caminhar um bocado, mas sempre acompanhados por belas paisagens de poços e pedras banhadas por águas límpidas.



As águas do poço, sob a luz do sol, são incrivelmente verdes, e fizeram valer à pena a caminhada até ali. Destaco apenas um ponto negativo no passeio, mas totalmente aceitável quando se opta por viajar em um feriado: lotação máxima de turistas.

Aproveitamos bastante o poço, até a fome apertar e retornarmos até o restaurante do Complexo da Vargem Grande, onde pedimos uma refeição com arroz, feijão, macarrão, salada, carne de panela e lombo de porco. Gente, eu não sei se era a fome, ou se a comida era realmente muito boa, porque eu só faltei lamber o prato de tanto que gostei daquele macarrão! Eu fiquei tão saciada que consegui tomar apenas um caldo de feijão à noite...

Nosso penúltimo dia na cidade das cachoeiras foi o mais radical, cansativo e empolgante da viagem! Decidimos conhecer a Racha da Zilda e foi emoção do começo ao fim! A verdade, caros leitores, é que eu quase desisti no primeiro obstáculo do passeio, mas respirei fundo, raciocinei, me embrenhei no mato e tchan-tchan-tcham: contornei o empecilho.

Antes de iniciar a longa jornada até a Racha da Zilda fomos recepcionados pelo fiscal do local, do qual não me lembro o nome. Ele nos repassou as orientações gerais e também recolheu nossa taxa de visitação no valor de R$10,00 por pessoa, na qual está inclusa o colete salva-vidas.

Logo de cara nos deparamos com uma singela ponte feita a partir de duas cordas, uma para o apoio dos pés e outra para as mãos. Antes da viagem, quando vi a fotografia dessa “ponte” na internet, eu pensei: que divertido! Como eu era inocente... Nem tentei atravessá-la, simplesmente porque eu não estava conseguindo nem subir nas cordas, um desastre. Aí eu pensei sobre a minha falta de opções, pois além da ponte, o único jeito de atravessar seria a nado e eu NÃO SEI NADAR! Lembrei do meu tempo de criança na fazenda e que eu até podia ter um certo receio de água, mas de mato eu tinha certo conhecimento. Retornei à entrada e "criei" uma trilha imaginária no meio do mato, às margens do rio, e rezando para não escorregar segui até um ponto no qual eu consegui atravessar o rio andando. 


                                     Imagem: Site Nosso Roteiros 

Eu não vou me demorar muito sobre a nossa trajetória até a Racha da Zilda porque eu não quero estragar a surpresa; pois, meus amigos, se vocês estão achando que aquelas cordas suspensas sobre um rio fundo e gelado são a cereja do bolo, tenho o prazer de informá-los que se trata apenas de um mero aperitivo. 

Darei só algumas dicas: Façam o passeio pela manhã, pois é demorado; Levem água e lanche reforçado; Estejam descansados; Levem dinheiro também, caso queiram se aventurar e realizar a travessia da Racha (R$50,00 por pessoa); Não tenham pressa para chegar; Tirem muitas fotografias e tenham muito cuidado para não escorregar nas pedras, principalmente nas cobertas por areia.







Cachoeira dos Anjos.

Entrada da Racha da Zilda.

A nossa aventura terminou por volta das 16 horas com uma coca-cola bem gelada e coxinhas maravilhosamente sequinhas e saborosas, vendidas na lanchonete do Complexo da Zilda. Três coxinhas, um refrigerante e uma cerveja saíram por R$25,00, mas, tudo bem, o importante é que eu estava com fome e as coxinhas resolveram o meu problema. 

Despedimo-nos de Carrancas no Recanto Bar, ao som de MPB, cerveja gelada e filé de frango empanado.



segunda-feira, 18 de abril de 2016

Resenha: A lista de Brett



A lista de Brett, de Lori Nelson Spielman, é um livro leve. Para ler quando você estiver precisando de uma história linear, sem muito drama, mistério ou reviravoltas. É uma leitura fácil, mas com uma mensagem forte para aqueles que se esqueceram dos sonhos e do que realmente importa.


Brett Bohlinger, aos 34 anos, é uma mulher bem sucedida. Tem um ótimo emprego e um namorado lindo com quem divide um glamoroso loft. Mas a aparente vida cor-de-rosa se desfaz quando sua adorada mãe morre vítima de câncer e deixa a Brett um último pedido: que a filha complete a lista de metas que fez aos 14 anos de idade. Além de ser o derradeiro desejo de sua mãe, riscar os nove itens restantes da lista de sonhos também é uma condição para que Brett receba a sua milionária herança.


Imagem: Site Saraiva


A história é previsível, mas deliciosa. O caminho que Brett percorre para realizar os sonhos de uma adolescente é enriquecedor, repleto de novas amizades, novos sentimentos e novas necessidades. Enquanto sua vida cômoda, confortável e superficial é desfeita, Brett enfrenta seus antigos medos e redescobre suas paixões. 


Impossível ler A lista de Brett e não se lembrar dos seus sonhos adolescentes, geralmente simples e audaciosos. Eu, por exemplo, me lembrei de como sonhava me tornar uma jornalista famosa e percorrer o mundo em busca de reportagens incríveis, e viver livremente, sem amarras. 


O livro não me deu a coragem nem a vontade necessária para retomar esse sonho, seria pedir muito!  Mas me permitiu acompanhar uma mulher adulta mudar sua vida radicalmente e encontrar, mesmo depois de algumas perdas, a felicidade. 


Tenho apenas duas críticas ao livro. A primeira é a previsibilidade, acho que a autora podia ter arriscado um pouco mais e surpreendido os leitores. A segunda é o fato de o relacionamento de Brett e Rudy (seu adorável vira-lata) não ter sido muito explorado. Entendam, eu sou apaixonada por animais, e esperava encontrar mais conteúdo sobre a relação dos dois. 


Não posso terminar essa resenha sem mencionar a relação de Brett e sua mãe. Apesar de não compreender, a princípio, por que sua mãe estabeleceu o cumprimento dos sonhos com uma condição para o acesso à herança, nossa protagonista não duvidou em nenhum momento de que as intenções de Elizabeth eram genuínas. Mesmo quando Brett se viu sem emprego, casa e namorado, ela continuou confiando no amor e na vontade de sua mãe. 

Indico a leitura a todos que, como eu, adoram uma historinha água com açúcar, mas com uma pitada generosa de autoconhecimento e esperança.

Onde achar:
Saraiva (R$23,60)
Submarino (R$27,81)
Americanas (R$31,49)
*Preços pesquisados na data da postagem

domingo, 25 de outubro de 2015

Resenha: Uma curva no tempo

Um grupo de amigos se reúne pela última vez em um restaurante antes que cada um siga para a faculdade. Um acidente terrível acontece. Uma morte. E a vida deles, especialmente a de Rachel, nunca mais será a mesma.

Desde aquela noite fatídica, na qual seu melhor amigo Jimmy morreu para salvá-la do carro desgovernado, Rachel carrega consigo a culpa pela tragédia, além de um rosto desfigurado e terríveis dores de cabeça que vêm aumentando nos últimos dias. Mas agora, cinco anos mais tarde, ela não tem tempo para pensar nessas dores, já que tem um problema muito maior à frente: o casamento de sua amiga Sarah.

Claro que ela está feliz pela amiga e deseja compartilhar esse momento tão especial, entretanto, seria tudo mais fácil se ir ao casamento não significasse também retornar à cidade onde tudo aconteceu e reencontrar pela primeira vez após o acidente o seu grupo de amigos. Dessa vez, com um integrante a menos. Mas ela não poderia dizer não a Sarah, não em uma ocasião tão especial.

Antes de partir para o jantar de “despedida de solteira” de Sarah, Rachel se obriga a visitar a mãe de Jimmy e fica desnorteada com a revelação que recebe. Quando ela ouve aquelas mesmas palavras, naquela mesma noite, só que dessa vez vindas de seu ex-namorado Matt, Rachel decide que precisa enfrentar todos os medos e “perguntar” a Jimmy o quanto de verdade existe no que lhe disseram.

Mas o que acontece no cemitério, em frente ao túmulo de Jimmy, muda tudo. Rachel sente fortes dores de cabeça e desmaia, acordando em uma realidade na qual a tragédia de cinco atrás não resultou na morte de seu melhor amigo. Isso mesmo, ao acordar no hospital, Rachel tem que lidar com um mundo no qual Jimmy está vivo, ela é uma jornalista e noiva de Matt e seu pai esbanja saúde - bem diferente daquele homem que estava morrendo aos poucos de câncer.
Imagem: Americanas

O desafio de Rachel é enorme: convencer a todos de que ela não está louca ou sofre de uma forte amnésia e ainda tentar encontrar uma explicação para o que está acontecendo. É claro que seu renascido melhor amigo Jimmy será seu companheiro inseparável nessa busca.

“- Mas se nunca descobrirmos o que de fato aconteceu? Se nunca encontrarmos as respostas? O que vamos fazer?
Jimmy se manteve em silêncio por um longo tempo.
- Bem – disse por fim -, se você se lembra bem dos seus primeiros 18 anos de vida, não é?
- Lembro. Até a noite do acidente.
- Então, no panorama geral, só estamos falando de termos inexplicavelmente ...perdido...uma pequena parte do seu passado. Acho que o que você precisa de perguntar é quanto tempo e energia quer gastar olhando para trás. – A voz dele mudou, o timbre ficando mais suave e baixo: - A mim, pessoalmente, o seu passado interessa menos que o seu futuro.”

O livro só não é perfeito porque quando descobri o que realmente está acontecendo comecei a desejar intensamente que eu estivesse errada e que os sinais dados pela autora não significassem aquilo que eu havia deduzido. Vou explicar melhor. Eu não fiquei decepcionada com a descoberta, com a explicação dos fatos, digamos assim; pelo contrário, adorei a maneira como a autora construiu a narrativa, espalhando pistas sutis aos leitores, tudo conduzindo a um desfecho coerente. O que me incomodou foi justamente esse final inevitável.

Mas, por favor, não considerem essa minha crítica um motivo para não conhecerem a história de Rachel. Não façam isso, sério.

Vocês precisam sentir esse livro. Sentir a Dor. A Culpa. A Esperança. A Confusão. A Paixão. E o Amor. Porque eu senti tudo isso e chorei. E sorri muitas vezes também. Até me apaixonei. A descoberta do que estava acontecendo apenas intensificou esses sentimentos. 

Onde achar:
Saraiva (R$19,80)
Submarino (R$21,90)
Americanas (R$20,80)
*Valores pesquisados em 25.10.2015