quarta-feira, 29 de abril de 2015

Do que você tem medo?

Quando eu era criança morria de medo de ter que sair de casa. E eu nem era tão novinha assim, tinha uns nove ou dez anos. Lembro que entrei numa crise de perguntar a minha mãe, a todo o momento, se quando eu crescesse seria obrigada a sair de casa. Obviamente, ela me respondia que não, que eu poderia ficar em casa o quanto quisesse.
"O que estraga a felicidade é o medo." - Clarice Lispector

Sinceramente, eu não sei por que eu fiquei tão preocupada com isso. Se naquela época eu soubesse o que me esperava na vida adulta, talvez a preocupação fizesse algum sentido; mas não, eu nem sabia o que era ser adulto e morar longe dos pais.

Os anos passaram e eu mudei. Com a adolescência vieram a coragem e a vontade de sair de casa. Aquela menininha assustada, tímida, introspectiva, que adorava brincar sozinha, parecia não existir mais. Ela desejava ir para bem longe, o mais longe possível. No final de tudo, ela conseguiu uma distância considerável de 600 quilômetros.

Mas eu estava enganada. O meu eu criança estava apenas entorpecido pelos hormônios da adolescência. Bastou o curso de graduação terminar, para aquele medo retornar, só que de forma inversa: eu não queria mais voltar.

Não tive escolha, precisei voltar para a casa dos meus pais e me readaptar a um convívio harmonioso, mas difícil para alguém que sonhou ir tão longe e teve que retornar ao ponto de partida.

Aos 27 anos, o medo continua e me apavora. Questiono-me se um dia vou conseguir me livrar dele ou se ele vai continuar comigo, como um amigo fiel, até o fim.  Sinceramente, eu não vou me importar se ele quiser partir, não vou sentir saudades, nem nada disso, pois espero que outro sentimento preencha o espaço. Mas, por enquanto, ele continua onde sempre esteve, atento, esperando a próxima mudança.

"Eu perguntei: Como pode um homem ser valente, se ele tem medo? Essa é única vez que um homem pode ser corajoso, ele me disse." - Robb Stark

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