sábado, 25 de abril de 2015

Resenha: Cidades de Papel

A minha primeira experiência com John Green foi por meio do filme A Culpa é das Estrelas. Acho que por ter adorado e chorado horrores com a história de Hazel e Augustus e lido em algumas resenhas, posteriormente, que o livro não era tão legal quanto o filme, eu não senti vontade de conhecer a prosa de Green, até que uma amiga leu Cidades de Papel e disse que a obra era muito divertida, jovem e com diálogos inteligentes. Como eu e essa minha amiga somos cúmplices literárias há quase dois anos, achei que deveria deixar minha resistência de lado e finalmente, “conhecer” John Green.

Adianto que gostei muito do livro, apesar de não ser o meu estilo preferido, pois, não sei já perceberam, eu simplesmente AMO um romance. Mas se John Green deixou as cenas melosas e românticas de lado, ele compensou com passagens divertidíssimas, intelectuais e com certo nível de suspense.

A trama se passa na cidade de Orlando, na Flórida, Estados Unidos, onde jovens do último ano escolar esperam ansiosamente pelo baile de formatura e colação de grau, com exceção dos melhores amigos Quentin e Ben Starling, que decidiram não ir à comemoração festiva, por não terem acompanhantes.

Quentin é um jovem tranquilo, inteligente e apaixonado por Margo Roth Spiegelman, sua vizinha desde quase sempre. Quando os dois tinham nove anos de idade, encontraram um cadáver durante um passeio no parque e mesmo sendo muito jovem, Margo se mostrou empenhada em desvendar aquele mistério. Para Quentin, foi a partir daquele momento que Margo, por gostar tanto de enigmas, acabou se tornando o próprio mistério.
(Imagem:http://www.intrinseca.com.br)


A amizade de Quentin e Margo não resistiu ao tempo. Ela se tornou uma espécie de “musa inspiradora” do colégio, tanto por sua beleza quanto por suas historias de aventura, enquanto Q continuou na “anonimidade”.

Mas o distanciamento de Margo termina na noite do dia em que Quentin afirmou “ser o mais longo de sua vida”, quando Margo lhe pede ajuda para realizar onze coisas e precisa que Quentin seja seu motorista.

Não posso entregar a vocês os itens da lista de Margo, nem dizer o que acontece com ela imediatamente após o cumprimento integral do plano, mas posso instigá-los contando que Quentin, com a ajuda de seus amigos Ben e Radar, inicia uma caçada alucinada, regada a pistas em pôsteres, portas, poemas, mapas, construções abandonadas e cidades de papel.

Green cria um cenário no qual o suspense e a descontração típica das histórias juvenis conseguem caminhar lado a lado. Por exemplo, ao mesmo tempo em que eu fiquei apreensiva e imaginando mil e uma versões, me diverti bastante com o trio Q-Ben-Radar. Somente após terminar a leitura, eu entendi que esse “método” utilizado por Green, ao misturar mistério e comédia, poderia ser uma dica ao leitor, dizendo mais ou menos assim: Calma, sossegue sua mente criadora e coração aventureiro, essa é uma história de adolescentes descobrindo o mundo.

Repito, gostei muito do livro, mas por não ter entendido com antecedência a “dica” do autor, eu me decepcionei com o final. Felizmente, eu parei para pensar um pouco sobre os personagens e a construção minuciosa do enredo e percebi que tudo caminhou perfeitamente para aquele término. O autor não tinha outra opção. Os personagens também não.

Se vocês me perguntassem, logo após eu ter encerrado a leitura, se deveriam ler também, a minha resposta seria “não sei”. Hoje, entretanto, eu digo: Sim, leiam Cidades de Papel, divirtam-se com a história, lembrem-se de quando eram adolescentes, descubram que coisa é essa de “cidades de papel”, desejem comprar uma mini-van e enchê-la de amigos verdadeiros e depois me contem se valeu a pena ou não. Tenho um forte palpite que a resposta de vocês será positiva.

Termino a resenha com a passagem do livro que me lembrou de algo muito importante, curiosamente, no exato momento em que eu precisava lembrá-lo.

“ -Não. Ben é um babaca.
Radar me fitou pelo canto do olho.
- É claro que ele é. Sabe qual é seu problema, Quentin? Você espera que as pessoas não sejam elas mesmas. Quer dizer, eu podia odiar você por ser tão pouco pontual e por nunca se interessar por nada que não seja Margo Roth Spiegelman e por, tipo, nunca me perguntar como estão indo as coisas com minha namorada...Mas eu não ligo, cara, porque você é você. Meus pais têm uma tonelada de porcaria de Papais Noéis pretos, mas tudo bem. São meus pais. Eu sou totalmente obcecado por uma enciclopédia on-line e por isso deixo de atender o telefone quando meus amigos ligam, ou mesmo minha namorada. Tudo bem também. Eu sou assim. Você gosta de mim do jeito que eu sou. E eu de você. Você é engraçado, inteligente e pode até chegar atrasado, mas sempre chega.
- Valeu.
- É, bem, não era para ser um elogio. Eu só estava dizendo para você parar de pensar que Ben deveria ser você, e ele precisa parar de pensar que você deveria ser quem ele é, e você dois podiam baixar um pouco a bola.”

Ah, dia 16 de julho chega às telinhas o filme! Ebaa!!


 Onde achar:
Amazon (R$17,30)
Submarino (R$20,90)
Americanas (R$19,90)



Um comentário: