terça-feira, 3 de maio de 2016

Feriadão de Tiradentes na Terra das Cachoeiras


Pouco dinheiro e uma vontade enorme de colocar o pé na estrada e viajar. Como proceder? Com a lista de destinos brasileiros em uma mão e a calculadora na outra, consegui encaixar uma viagem a Carrancas no meu apertado orçamento e, na quarta-feira, dia 20 de abril, eu e meu namorado embarcamos nessa pequena aventura.

Após um atraso de três horas por parte do meu digníssimo namorado, finalmente, ao meio-dia, iniciamos o nosso percurso de 460 quilômetros até a pacata cidadezinha do sul de Minas, também conhecida como a “cidade das cachoeiras”. Foram quase sete horas até a Pousada da Toca, situada em uma propriedade rural, a cerca de dois quilômetros do centro de Carrancas.

Adoramos tudo na pousada: o atendimento dos proprietários e funcionários, que foram muito simpáticos e atenciosos; o chalé estilo rústico simples, que me ganhou pela cama confortável e a rede na varanda; o café da manhã que só não recebeu nota 10 porque não tinha ovo mexido e a tranquilidade que aquieta até o mais estressado dos espíritos. Por todos esses motivos, considero que os R$750,00 de estada foram um verdadeiro investimento.

Vista do restaurante.

Vista da varanda do chalé. 

Um dos lagos da pousada.

Uma vez instalados na pousada, com muita fome, mas cansados demais para ir até a cidade, decidimos pedir dois sanduíches e cinco latinhas de cervejas. Não me lembro do nome do estabelecimento, só do preço – R$40,00, e que a cerveja estava gelada e o sanduíche agradável.

No dia seguinte acordamos por volta das 08h30min, tomamos aquele café e partimos para o nosso primeiro passeio, ali mesmo na pousada: o Complexo da Toca. Como éramos hóspedes, tivemos acesso gratuito. Infelizmente não me recordo o valor da taxa cobrada para os não hóspedes, mas acredito que seja algo em torno de R$3,00.

A trilha até o Poço do Coração e o Poço do Coraçãozinho é de fácil acesso e banhada por águas claras e geladas. Os dois poços estão situados bem próximos, separados por uma ponte de pedra.






Não tive coragem de entrar em nenhum dos dois. O primeiro, porque era fundo e eu não sei nadar, e o segundo porque é bem pequeno e serve mesmo só para tirar foto.

Poço do Coração. 

Poço do Coraçãozinho.


Retornamos à pousada por volta das 13 horas e almoçamos por lá mesmo. A refeição com arroz, feijão, salada, mandioca frita, chuchu, carne de porco e bovina saiu por R$38,00, mais duas garrafas de cerveja a R$8,00 cada.

Sem tempo para o “quilo”, seguimos direto até a cidade para pegar a estrada para o Complexo da Zilda. Exceto pelos 12 quilômetros de terra, poeira e alguns buracos, é muito simples chegar ao principal complexo turístico de Carrancas, basta virar à esquerda na altura da Praça da Igreja Matriz e seguir as placas.

O Complexo da Zilda é “dividido” em três pontos: Escorregador da Zilda; Racha da Zilda; e Cachoeiras do Índio, da Zilda e Poço da Proa e do Guatambu.

Partimos primeiramente para as cachoeiras, onde pagamos uma taxa de visitação no valor de R$3,00 por pessoa. A trilha até a Cachoeira do Índio e da Zilda foi tranquila, embora exigiu um pouco mais de esforço e concentração para não escorregar nas pedras. As duas cachoeiras são belíssimas, dignas de cenário de novela das seis.  O único ponto negativo do passeio foi que não nos informamos direito ou não fomos informados corretamente e por isso não conhecemos as outras duas atrações: o Poço da Proa e do Guatambu, e me arrependi muito, pois, pelas imagens, são dois locais incríveis.


Cachoeira do Índio. 

Cachoeira da Zilda.

Poço do Guatambu. (Imagem: Carrancas Além das Formas)

Poço da Proa. (Imagem: Carrancas)


Já eram quase 17 horas quando partimos para o Escorregador da Zilda, onde também pagamos uma taxa de R$3,00 por pessoa. Percorremos poucos metros do local onde realizamos o pagamento até o escorregador, que é realmente tão legal quando aparenta ser nas fotografias. Mas, infelizmente, o cansaço e o frio do final de tarde venceram o nosso entusiasmo e por isso não nos aventuramos naquela pedra lisa e muito possivelmente gelada.



À noite, fomos para a cidade e, após esperar cerca de 15 minutos, conseguimos uma mesa no Recanto Bar, situado na rua principal de Carrancas. O estabelecimento é muito agradável, com música de qualidade ao vivo e ótimo atendimento. Optamos por uma pizza e cerveja. Total da noitada: R$57,00. 



Na sexta-feira, 22, foi o dia de conhecer a famosa e interditada Cachoeira da Fumaça, situada a quatro quilômetros do centro de Carrancas. Para  chegar à cachoeira basta fazer o caminho inverso ao do Complexo da Zilda, ou seja, convergir à direita na altura da Praça da Matriz e seguir as placas indicativas. Fiquei encantada com a cachoeira e ela facilmente ganhou o título de “a cachoeira mais linda de Carrancas”.




Como somos responsáveis demais com nossas vidas, respeitamos a proibição de banhos na cachoeira e nos contentamos em ficar admirando aquela obra-prima da natureza e nos demos o luxo de esquecer de todo o resto por alguns minutos.

Retornando à estrada principal, continuamos no sentido contrário à cidade e percorremos alguns quilômetros até o Complexo da Vargem Grande, onde fica o famoso Poço da Esmeralda. Dessa vez, não tivemos que pagar nenhuma taxa de visitação, apenas caminhar um bocado, mas sempre acompanhados por belas paisagens de poços e pedras banhadas por águas límpidas.



As águas do poço, sob a luz do sol, são incrivelmente verdes, e fizeram valer à pena a caminhada até ali. Destaco apenas um ponto negativo no passeio, mas totalmente aceitável quando se opta por viajar em um feriado: lotação máxima de turistas.

Aproveitamos bastante o poço, até a fome apertar e retornarmos até o restaurante do Complexo da Vargem Grande, onde pedimos uma refeição com arroz, feijão, macarrão, salada, carne de panela e lombo de porco. Gente, eu não sei se era a fome, ou se a comida era realmente muito boa, porque eu só faltei lamber o prato de tanto que gostei daquele macarrão! Eu fiquei tão saciada que consegui tomar apenas um caldo de feijão à noite...

Nosso penúltimo dia na cidade das cachoeiras foi o mais radical, cansativo e empolgante da viagem! Decidimos conhecer a Racha da Zilda e foi emoção do começo ao fim! A verdade, caros leitores, é que eu quase desisti no primeiro obstáculo do passeio, mas respirei fundo, raciocinei, me embrenhei no mato e tchan-tchan-tcham: contornei o empecilho.

Antes de iniciar a longa jornada até a Racha da Zilda fomos recepcionados pelo fiscal do local, do qual não me lembro o nome. Ele nos repassou as orientações gerais e também recolheu nossa taxa de visitação no valor de R$10,00 por pessoa, na qual está inclusa o colete salva-vidas.

Logo de cara nos deparamos com uma singela ponte feita a partir de duas cordas, uma para o apoio dos pés e outra para as mãos. Antes da viagem, quando vi a fotografia dessa “ponte” na internet, eu pensei: que divertido! Como eu era inocente... Nem tentei atravessá-la, simplesmente porque eu não estava conseguindo nem subir nas cordas, um desastre. Aí eu pensei sobre a minha falta de opções, pois além da ponte, o único jeito de atravessar seria a nado e eu NÃO SEI NADAR! Lembrei do meu tempo de criança na fazenda e que eu até podia ter um certo receio de água, mas de mato eu tinha certo conhecimento. Retornei à entrada e "criei" uma trilha imaginária no meio do mato, às margens do rio, e rezando para não escorregar segui até um ponto no qual eu consegui atravessar o rio andando. 


                                     Imagem: Site Nosso Roteiros 

Eu não vou me demorar muito sobre a nossa trajetória até a Racha da Zilda porque eu não quero estragar a surpresa; pois, meus amigos, se vocês estão achando que aquelas cordas suspensas sobre um rio fundo e gelado são a cereja do bolo, tenho o prazer de informá-los que se trata apenas de um mero aperitivo. 

Darei só algumas dicas: Façam o passeio pela manhã, pois é demorado; Levem água e lanche reforçado; Estejam descansados; Levem dinheiro também, caso queiram se aventurar e realizar a travessia da Racha (R$50,00 por pessoa); Não tenham pressa para chegar; Tirem muitas fotografias e tenham muito cuidado para não escorregar nas pedras, principalmente nas cobertas por areia.







Cachoeira dos Anjos.

Entrada da Racha da Zilda.

A nossa aventura terminou por volta das 16 horas com uma coca-cola bem gelada e coxinhas maravilhosamente sequinhas e saborosas, vendidas na lanchonete do Complexo da Zilda. Três coxinhas, um refrigerante e uma cerveja saíram por R$25,00, mas, tudo bem, o importante é que eu estava com fome e as coxinhas resolveram o meu problema. 

Despedimo-nos de Carrancas no Recanto Bar, ao som de MPB, cerveja gelada e filé de frango empanado.



9 comentários:

  1. Lindo lugar! Vou adicionar na minha lista de lugares que ainda quero conhecer.

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    1. Estava na minha listinha também...agora faltam só 18 destinos brasileiros para conhecer!

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    2. OQ TÁ NA MINHA LISTA É ESSAS COISAS DA ZILDA AI, ESCORREGADOR E RACHA PRINCIPALMENTE

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  2. Lindo lugar! Vou adicionar na minha lista de lugares que ainda quero conhecer.

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  3. Falou muito bem amor, não faltou nada. Passeio maravilhoso. Super recomendado.Bjosss!!!

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    1. Obrigada! Foi um passeio realmente incrível! Ainda bem que setembro está próximo, pois já quero viajar de novo! #viajarvicia

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  4. MT FODA ESSA LUGAR, GOSTEI MT DA POÇÃO DO CORAÇÃO E DO CORAÇÃOZINHO, CONFESSO QUE ME IDENTIFIQUEI MAIS COM O DO CORAÇÃOZINHO PQ CORAÇÃO GRANDE É COISA COISA DE MÃE, COISA Q EU NUNCA SEREI. TB GOSTEI MT DA PARADA DO ÍNDIO AÍ, ESQUECI O NOME DA PARADA, ACHO Q É ILHA E NAO VOU VOLTAR NA PSOTAGEM POSTAGEM PRA LEMBRAR, PORÉM NAO ADMITO QUE NAO GOSTEI DA NEGÓCIO DA ZILDA, ACHO QUE É CACHOEIRA, PQ ESSE NOME EU NAO GOSTO, ME FAZ LEMBRAR DA MINHA SOGRA QUE EU ODEIO, CHATA PRA K7. EU ATÉ FALO COM ELA ASSIM: OI SOGRA, TB BEM? MUITOSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSS ABRAÇOS (FALO COM MUITOS "S" PQ A SONORIDADE DOS "S" FICA COMO SE EU TIVESSE IMITANDO UMA COBRA, E MINHA SOGRA É UMA JARARACA. MT LEGAL O POSTE

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    1. Muito obrigada pelo comentário, Sofian. Espero que você se acerte com a sua sogra (se vc quiser, é claro)e arrume um tempinho para conhecer Carrancas, é um lugar incrível, pacato e com boas pessoas! Abraço.

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