quinta-feira, 30 de junho de 2016

Como lidar com a frustração dos sonhos não realizados?



Nos meus melhores sonhos, esse período da minha vida seria aquele no qual eu já estaria realizada profissionalmente, com as finanças em dia, carro e casa próprios e, quem sabe, casada e com um filho adotivo; entretanto, a fase dos “quase 30” fugiu um pouco do script e hoje, aqui estou eu, morando com os meus pais, andando a pé, trabalhando fora da minha área de formação e namorando há mais de cinco anos, sem qualquer previsão de matrimônio ou herdeiros.

(Imagem retirada do site haiokas.blogspot.com)

Diante desse quadro a primeira pergunta que surge é “O que eu fiz de errado?”, enquanto a pergunta certa seria “O que eu estava fazendo quando deveria estar correndo atrás dos meus sonhos?”, ou melhor, “Por que eu achava que com menos de 30 anos eu já teria quase tudo que sonhei na vida?”.

A resposta à primeira pergunta é simples: Errei na escolha do meu curso de graduação, simples assim. Optei por jornalismo quando a opção certa era Medicina Veterinária e esse é um erro que vou carregar pelo resto da minha vida, não tem jeito.

A segunda pergunta é um pouco mais difícil de responder, porque eu acho que mesmo quando eu não estava correndo atrás dos meus sonhos, eu estava fazendo algo que eu gostava ou algo que precisava ser feito. Por exemplo, ao trabalhar em uma atividade que não me fazia feliz, eu estava fazendo o que era necessário a minha subsistência; quando eu estava viajando, comprando livros e ajudando os animais de rua eu deixei de economizar um bom dinheiro para o meu carro e casa próprios, entretanto, estava investindo na minha felicidade. 
Viajar é ou não é um ótimo investimento? (Imagem: Livros e outros vícios)

Claro que em alguns momentos eu não estava fazendo uma coisa nem outra, estava só procrastinando mesmo. Quantas vezes eu deixei de estudar ou ir à academia para assistir séries e ler livros? Há quanto tempo eu digo que vou praticar exercícios físicos diariamente e retomar os concursos públicos, mas me sinto desmotivada a fazê-los? E a doação de sangue, as aulas de Libras, de natação, de dança, a nova tatuagem? Tantos planos e sonhos que nunca saíram do papel.

Finalmente, a pergunta mais complexa - Por que eu achava que com menos de 30 anos eu já teria quase tudo que sonhei na vida? Gente, eu não sei!  A única resposta que consigo imaginar é que eu era muito inocente, sonhadora e otimista para acreditar que eu sairia da faculdade aos 23 anos e com menos de 30 teria conseguido realizar a maioria dos meus sonhos. Claro que essa imagem de adultos bem resolvidos com 30 anos de idade não apareceu do nada na minha cabecinha, eu tive contato com ela durante toda a minha vida, por meio da televisão, internet, livros, filmes e raros exemplos da vida real.

O fato é que a sensação de estar “ficando para trás” existe. Não vou mentir e dizer que está tudo bem. Isso não é verdade. Há muito o fato de ainda morar com os meus pais me incomoda bastante, eu os amo, mas preciso de privacidade. Não ter um carro também é um problema, assim como a ausência de realização profissional e os sorrisos amarelos que eu sou forçada a dar toda vez que alguém pergunta quando vai ser o casamento. A questão dos filhos também passou a ocupar minha mente nos últimos tempos, pois sempre quis adotar, e meu namorado quer um único filho biológico. Tudo isso somado ao fato de que meus projetos “menores” também continuam sem movimentação. 

Não mais!!! (Imagem retirada do site sejaninja.com.br)   

Para não ser consumida por esse sentimento de frustração, estabeleci três regrinhas bem simples, mas que podem ajudar na hora do desespero:

I. O primeiro passo é PARAR DE COMPARAR SUA VIDA COM A DOS OUTROS. Fazer isso não é tão fácil quanto parece, vai exigir autoconhecimento, autoconfiança e coragem para admitir que foram as suas escolhas que te colocaram onde você se encontra hoje. Confesso que de vez em quando ainda caio nessa armadilha, mas toda vez que acho a vida de alguém mais empolgante e interessante que a minha eu me lembro do segundo passo.

II. DÊ VALOR AO QUE VOCÊ TEM. É clichê, mas tente enumerar todas as coisas boas que você tem ou já viveu, e eu tenho certeza de que a sua percepção sobre a vida vai melhorar. Eu, por exemplo, agradeço sempre por ter uma família saudável e unida, duas afilhadas lindas, três filhinhos de quatro patas que são a minha vida, um namorado atencioso e amigos com quem eu posso contar.

III. PARE DE PROCRASTINAR, e aja! Mais um clichê, eu sei, mas você e eu precisamos entender de uma vez por todas que nós somos os únicos responsáveis pela nossa felicidade e conquistas. Infelizmente, nunca vamos ter a certeza do sucesso, os nossos projetos podem ou não ser concretizados, mas vamos concordar que as chances aumentam consideravelmente quando nos empenhamos para isso? 

(Imagem retirada do site ciclosdaalma.blogspot.com)

2 comentários:

  1. ME IDENTIFIQUEI BASTANTE, ATÉ ME FEZ LEMBRAR DE VÁRIAS COISAS QUE EU TENHO CONTATO DIÁRIO. A PARTE QUE MAIS GOSTEI FOI DA PROCRASTINAÇÃO POIS ALÉM DE SER MT LEGAL A PALAVRA TBM É BASTANTE COMPLEXA ALÉM DE SER UMA PALAVRA OXÍTONA. LÁ VAI UM PENSAMENTO MT DIVERTIDO E INTERESSANTE QUE TAMBÉM VAI DE COMPLEMENTO AO QUE POSTASTE: Sim, sei de onde venho! Insatisfeito com a labareda ardo para me consumir! Aquilo em que toco torna-se luz. Carvão aquilo que abandono. Sou certamente labareda!

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    1. Olá Sofian! Muito obrigada pelo comentário! Fico feliz de você ter se identificado com o texto! Volte sempre ao blog! Abraço.

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