sexta-feira, 3 de agosto de 2018

O que eu aprendi com a terapia




No início de abril, eu surtei. Era uma segunda-feira, por volta das 9h30min, estava no meu trabalho e percebi que eu não aguentava mais viver daquele jeito – estressada, nervosa, angustiada e triste. Peguei o telefone e marquei um horário, para aquele dia mesmo, com o primeiro psiquiatra que me atendeu. 

A consulta era às 13 horas. Trabalhei até as 12, almocei e fui. Fiquei apenas uns vinte minutos no consultório, na maior parte do tempo, chorando. O médico disse que eu estava estressa e me receitou QUATRO remédios. Sim! Para uma pessoa que só havia tomado antibiótico e analgésico na vida, imaginem a minha surpresa ao descobrir que eu, segundo o médico, precisava de um antidepressivo, um “potenciliador” do antidepressivo, um ansiolítico e um remédio para o cansaço. 

Não vou  aprofundar nos efeitos dos remédios. Acho suficiente dizer que por um tempo os remédios me ajudaram, principalmente, a dormir. Mas os efeitos colaterais, como a forte dor no estômago e um emagrecimento que assustou boa parte da minha família, fizeram-me desistir do tratamento químico e focar somente na terapia. 

Antes de pontuar meus aprendizados com as sessões de terapia acho importante relatar que tive duas experiências negativas, uma com uma psicóloga, e outra com um psicanalista. Experiências que quase me fizeram desistir do tratamento. Mas, teimosa que sou, decidi tentar mais uma vez e, graças a Deus, mas de dois meses de tratamento depois, tenho algumas coisinhas para compartilhar por aqui.

Não existe vida perfeita 

Quando estamos para baixo, tristes e deprimidos, é fácil enxergar defeitos demais na nossa vida e imperfeições de menos na vida dos outros. É natural comparar-nos ao nosso colega de trabalho superanimado, ou à amiga que está sempre viajando ou até àquela pessoa que tem mais problemas que você, mas vive sorrindo por aí. 

Eu fazia muito essas comparações e, às vezes, quando estou em um dia ruim, ainda costumo cair nessa armadilha. Mas eu aprendi a enxergar as imperfeições na vida alheia e a ver as coisas boas que eu carrego na minha bagagem. Aprendi que estar sorrindo o tempo todo não significa uma vida perfeita e que eu, você, todos nós, somos frutos de uma combinação de fatores totalmente diferentes (genética, condição socioeconômica, personalidade, escolhas)  que, invariavelmente, levam-nos para caminhos diversos, e por isso, não podemos nos achar menores do que ninguém, menos capazes e menos felizes, apenas estamos vivendo um momento diferente, só isso. 

A vida é boa

Sim! Hoje eu acredito, de verdade, que a vida é maravilhosa e que VIVER vale muito à pena. Eu ainda acho o mundo demasiado injusto, cruel e violento. Fico entristecida ao me confrontar com tanta desigualdade, miséria, ganância e egoísmo. Mas também fico maravilhada com a nossa natureza, nossos animais, nossa cultura, música, culinária e literatura. 

Eu sei, muito bem, que nos momentos de tristeza e desespero, nem todas as maravilhas do mundo juntas são suficientes para fazer o nosso humor melhorar. Mas, mesmo assim, é tão bom saber que amanhã ou depois, quando estivermos um pouquinho melhor, poderemos contar com as coisas boas da vida. E o mais interessante é que são as pequenas coisas, as mais simples, que nos fazem agradecer pela chance de ter um dia bom novamente, como a comida da nossa mãe, a água quentinha do chuveiro, o carinho dos nossos animais de estimação, o nosso cobertor favorito, um livro, um filme...

Tudo passa 

Às vezes, quando estou enfrentando uma fase muito difícil no meu trabalho, eu penso no pior momento que eu já vivi naquele ambiente (quando eu fiquei um mês sozinha) e repito para mim mesma que aquilo vai acabar, como todo o resto acabou. Mesmo que seja um término temporário, porque amanhã eu terei que voltar ao trabalho, é pacificador ter consciência de que eu já passei por situações piores e sobrevivi.

No fundo, somos todos sozinhos...

Quando enfrentamos uma doença física ou mental, uma tragédia, uma grande perda, é natural e saudável buscarmos apoio nas pessoas mais queridas, mas infelizmente nenhuma delas tem o poder de pegar a nossa dor e tirá-la de nós. Esse dever cabe a nós. É um caminho tortuoso, difícil, perturbador, no entanto, afirmam aqueles que já superaram seus percalços, que  chegaremos ao final dessa caminhada mais sábios e fortes. 

Eu ainda estou caminhando. Às vezes, pareço correr, em outros dias, paro para cochilar no meio do caminho. Quero desistir, por alguns minutos. Depois lembro que eu não tenho essa opção e me levanto. 

Eu não sei quando você vai se livrar da sua dor, eu mal consigo lidar com a minha, mas eu sei que você vai continuar tentando, vai se lembrar do vento no rosto em um dia quente, do abraço apertado do melhor amigo, da risada sem motivo aparente, do cheirinho da chuva...Vai chorar, ficar triste, cada vez menos, a cada dia, um pouquinho menos e, em breve (que seja breve!), você vai sorrir!

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